quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010


CRISTINA BALDAIA
ADVOGADA
PORTUGUESA ( RESIDENTE NOS EUA)


Não sei quanto a si que está a ler, mas desde os bancos da escola primária que o difícil foi sempre começar. Muito mais quando se trata de partilhar com os outros, por escrito, o que guardo na alma com tanto amor..
Quando me veio à mente a certeza, que todos temos, de que podemos partir desta vida a qualquer instante, foi fácil pensar no « poema » que gostaria de deixar para trás. O meu testemunho de Jesus, o Nazareno. Aquele que caminhou de sandálias e vestes singelas, a desbravar os caminhos poeirentos desta terra para, com o coração, acrescentar-nos o chão.
Marcou a historia como ninguém. Veio como pastor de almas, na mais humilde condição, embora fosse o Messias, o Filho de Deus. Deixou-nos a esperança, que a todos move, independentemente da origem, da religião.
Se O seguissemos, inúteis seriam religiões, organizações, reuniões…Mas, imperfeitos como somos, diariamente nos afastamos Dele e em Nome Dele, ao longo dos tempos se foram travando cruzadas, guerras, chamadas santas !
De todo o Seu legado faz parte a Igreja que porta o Seu Nome : A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Foi em Coimbra, aos 22 anos, que conheci os missionários, de camisa branca e gravata. Sempre atarefados, de « livro » em punho. Alguém me tinha dito que eram uns americanos ricos, que repudiavam as heranças em nome de um Deus maior, a quem devotariam o resto das vidas. Fiquei perplexa e lembro-me de ter pensado « Magnânimo…mas, que desperdício, tão jeitosos que são ! Giros e espirituais, a combinação utópica. Estes é que davam uns ricos pais de família e optam pelo celibato! »
Felizmente, numa tarde solarenga ao regressar das aulas, dois daqueles “ jeitosos “ abordaram-me e, com a maior simplicidade, perguntaram-me se gostaria de ouvir falar de Deus. Logo eu, que há muito perguntava por que razão Deus, se existia, tinha sido tão injusto e não nos dava profetas nem apóstolos como havia feito há tantos séculos atrás ?
Foi o início da maior caminhada da minha vida. As perguntas aumentaram, as respostas também. Com o tempo foi-se clarificando o entendimento firmando na alma a certeza de que esta não era apenas uma igreja com bons princípios, mas sim a Igreja com a autoridade para representar Cristo. A única, por muito presunçoso que soe.
A história da Igreja dos mórmons, como tantos nos chamam, tem conhecido períodos difíceis, alguns indescritíveis de tão hediondos. O massacre de Mountain Meadows, a poligamia; a negação do sacerdócio aos homens de raça negra…
Todavia, permitam-me dizer-vos o que de mais valioso tenho aprendido nesta Igreja, os homens são imperfeitos, a doutrina não. O Livro de Mórmon é verdadeiro.
Zeca Afonso cantou « não há machado que corte a raiz ao pensamento », eu acrescentaria “nem ao testemunho gravado pelo poder do Espírito Santo».
Cristina Baldaia da Costa
Advogada “em sabático”, Mãe a “tempo-inteiro”
Estaca de Lindon-Utah
Portuguesa, de alma e coração

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